Teatro proibido e censurado em Portugal no século XIX

Passado, presente e futuro
A. César de Vasconcelos
Comédia-revista
Teatro do Ginásio
Li atentamente a comédia-revista em 4 actos e 12 quadros intitulada Passado, presente e futuro que com algumas supressões que aponto me parece nos termos legais de se licenciar para o teatro a que se destina.
Consiste o argumento da peça em se figurar que «Portugal» tem uma filha, «Esperança», a cujo consórcio aspiram o «Passado» e o «Futuro». Por este se declara o pai e a filha, empregando o «Passado» e os seus parceiros todos os r«emeios para estorvar esta aliança que, afinal, se efectua muito a contento do povo.
Os interlocutores de toda a peça são figuras simbólicas e ao menos nas denominações na há personalidades. O que há é algumas fereências e alusões, posto que em geral benignas, nas cenas 7.ª e 8.ª do 1.º acto, 4.ª do 8.º quadro, 4.ª do 9.º do 3.º acto e final do quadro 11.º e o fecho da peça. Todos estes lugares vão marcados a lápis. Parece-me que assim não se devem permitir pelas razões que logo sugerem a sua leitura. Entretanto, a final censura decidirá.
No mais, esta revista é muiinifensiva, decorosa, bem escrita, de figuras alegóricas. Lisboa, 29 de Dezembro de 1861. A. da Silva Túlio (SGMEC)
Pode representar-se. Inspecção Geral dos Teatros em 31 de Dezembro de 1861. Carlos da Cunha e Meneses (ESTC)
31-12-1861
António da Silva Túlio
Direcção do Teatro do Ginásio
Comissão de Censura Dramática
Arquivo da Secretaria Geral do Ministério da Educação e Ciência – Conservatório Nacional, cx. 773, mç. 2900; Biblioteca da Escola Superior de Teatro e Cinema (MAN-A2-P1-0106)
O manuscrito depositado na Biblioteca da Escola Superior de Teatro e Cinema (MAN-A2-P1-0106) exibe as sinalizações e respectivos cortes indicados no parecer.