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Um trapeiro político
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M. J. Pacheco Antunes; E. L. de Sales
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Cena cómica
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Teatro da Rua dos Condes
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Sinto não poder aprovar a narrativa em verso dos acontecimentos públicos do ano de 1861 intitulada Um trapeiro político e que seu autor crismou de «paródia» à Revista do mesmo ano. Desconhece dercerto a significação do vocábulo «paródia» quem o aplica á imitação de uma peça cómica. A paródia é a contrafacção do belo ou do sublime e sendo uma revista satírica e burlesca a negaçãoo do elevado e do poético, a presente cena cómica só poderá alcunhar-se de «paródia de outra paródia», genéro desconhecido e inadmissível não só no teatro mas em qualquer das variadíssimas manifestações da arte.
De cançoneta e seis quadros que se propunha recitar o Trapeiro político (número gigantesco para uma récita ordinária de qualquer teatro) com mágoa confesso que é ainda duplicado o número dos versos errados, pecando a maioria por sílaba ou sílabas demais, erro que nasce do autor medir pela mesma bitola os versos graves e agudos o que, como é fácil de ver, estropia inevitavelmente estes últimos. À vista destas valiosas razões não posso aprovar a poesia cómica que se intitula Um trapeiro político. Lisboa, 10 de Fevereiro de 1862. L. A. Palmeirim |
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10-02-1862
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Luís Augusto Palmeirim
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Direcção do Teatro da Rua dos Condes
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Comissão de Censura Dramática
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Arquivo da Secretaria Geral do Ministério da Educação e Ciência – Conservatório Nacional, cx. 773, mç. 2900
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