Teatro proibido e censurado em Portugal no século XIX

Um marido arrependido
J. S. Araújo
Poesia
Teatro da Rua dos Condes
Li a intitulada poesia cómica Um marido arrependido que acho insonsa como sátira e ruim como poesia. As cinco últimas décimas estão cheias de versos errados, sendo especialmente inadmissíveis as duas finais, em que é tratado pelo seu nome um funcionário público que pleo facto de ser director de um hospital de alienados não deve servir a ninguém de armadilha cómica. O teatro, mais do que a imprensa, mais do que o foro, mais do que o parlamento, deve ser cordato e respeitoso. Aconselha-lho a própria conveniência e a responsabilidade legal de que goza, encobertada pela directa responsabilidade da censura. À vista destas razões, nego o meu voto de aprovação á poesia que se intitula Um marido arrependido. Lisboa, 18 de Março de 1862. L. A. Palmeirim.
18-03-1862
Luís Augusto palmeirim
Direcção do Teatro da Rua dos Condes
Comissão de Censura Dramática
Arquivo da Secretaria Geral do Ministério da Educação e Ciência – Conservatório Nacional, cx. 773, mç. 2900