Teatro proibido e censurado em Portugal no século XIX

O barão de Quiribamba
Comédia
Teatro da Rua dos Condes
Entendo que faço um bom serviço ao Teatro da Rua dos Condes não aprovando a comédia que se intitula O barão de Quiribamba. Fundamentarei o meu parecer tanto quanto julgo preciso para convencimento dos interessados. Esta peça, de enredo quase nulo, joga principalmente sobre equívocos e trocadilhos de palavras. Ora estes equívocos quando lícitos e inofensivos podem agradar às plateias, mas quando acontece serem confusos ou obscenos todo o mérito deles desaparece, para só ficar o enjôo de os ter ouvido. esta comédia, como disse e repito, não tem uma única cena «esperta» nem uma única situação cómica. A conversação entre as duas actrizes é própria de um lupanar e não de um teatro, bem como a cena 11.ª entre Lulu e Mimosa, mais divertida para uma sessão de «polícia correcional» do que para entretenimento de uma plateia honesta. Os fundamentos deste meu voto estão na leitura das duas cenas a que me refiro, e por isso entendo que o público lucra em não ver representar a peça que tem por título O barão de Quiribamba. Lisboa, 13 de Outubro 1863. L. A. Palmeirim
Denegada a licença
15-10-1863
Luís Augusto Palmeirim
Direcção do Teatro da Rua dos Condes
Comissão de Censura Dramática
Arquivo da Secretaria Geral do Ministério da Educação e Ciência – Conservatório Nacional, cx. 774, mç. 2913