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Os dois suicidas
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M. C. A. Vellasco
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Comédia
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Teatro da Rua dos Condes
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A comédia original que tem por título Os dois suicidas e se pretende representar no Teatro da Rua dos Condes pertence ao género, hoje obsoleto, das farsas antigas em que o pai que queria casar a filha contra va vontade dela era sempre enganado por outro pretendente que se disfarçava por astúcia de digno criado, quase sempre absurda e incivelmente.
Nesta peça representa-se a inverosimilhança porque também se disfarça a filha sem que o pai a reconheça durante o diálogo das cenas 17 e 18. E além disto a longa cena do projectado suicídio de «Eduardo» passa-se entre este e o criado dele em casa do pai da noiva, sem se saber como ali foram parar, nem como conseguem estar em casa alheia tanto à sua vontade e fazendo tanto ruído. Quanto à parte literária, é ainda mais defeituosa esta comédia: as coplas são intoleráveis, a linguagem imprópria e monótona, sem nenhum dos requisitos que desculpam, por conceituosa e jovial, a falta de merecimento dramático que possam ter semelhantes composições. É pouco decente a copla da 1.ª cena , repugnante a acção que faz «Ernestina» na cena 5.ª, e até o título de Dois suicidas é insustentável. Por estes fundamentos sou de parecer que esta comédia não está nos termos de se licenciar. Lisboa, 10 de Abril de 1863. A. da Silva Túlio. |
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13-04-1863
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António da Silva Túlio
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Direcção do Teatro da Rua dos Condes
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Comissão de Censura Dramática
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Arquivo da Secretaria Geral do Ministério da Educação e Ciência – Conservatório Nacional, cx. 774, mç. 2913
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