Teatro proibido e censurado em Portugal no século XIX

Um pároco virtuoso
José Frederico Parisini
Comédia
Teatro das Variedades
Li a comédia em 1 acto intitulada Um pároco virtuoso que, apesar das grandes desigualdades de estilo que nela encontro e do não menor número de erros de ortografia em que abunda aprovo para ser representada no Teatro das Variedades. Este meu parecer pode ser julgado contraproducente, mas eu o explico. O estilo é uma qualidade essencialmente literária que não deve ser exigida a uma peça desambiciosa que se destina a um teatro de segunda ordem e entregue para poder biver às suas próprias especulações. Enquanto à ortografia, quanmdo ela influi na pronunciação dos actores é urgente corrigi-la e pô-la a direito, mas sendo os principais erros ortográficos desta comédia os «ce» e «ci» cedilhados, o que não altera nem corrompe a pronunciação, entendo que os possa desculpar sem inconveniente. Recomendo ao autor que substitua a frase «eu a apronto como um linces» que nem adulterada pela ignorãncia saloia tem plausível razão de ser. Podia ainda entrar noutras minúcias acerca da linguagem usada por alguns dos personagens desta peça, mas pelas razões já acima indicadas, julgo-me dispensado de as enumerar. Em reserva aprovo a presente comédia, mas recomendo ao autor que a reveja cuidadosamente, dispensando-o de voltar a pedir novo parecer, além deste que aqui fica exarado. Lisboa, 25 de Fevereiro de 1863. L. A. Palmeirim
16-03-1863
Luís Augusto Palmeirim
Direcção do Teatro das Variedades
Comissão de Censura Dramática
Arquivo da Secretaria Geral do Ministério da Educação e Ciência – Conservatório Nacional, cx. 774, mç. 2913