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Arrufos conjugais
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J. de A.
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Comédia
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Teatro do Ginásio
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Na comédia intitulada Arrufos conjugais postergam-se todas as regras da arte dramática e ofendem-se os bons costumes. O título não condiz com o argumento da peça porque tanto as desconfianças de Estanislau, marido de Elvira, como o procedimento de Procópio têm outro nome. O mesmo Estanislau protestando matar o que faz ricos presentes a sua mulher conserva-se até ao fim da peça sem descobrir o sedutor, consente que a mulher guarde os presentes, e no fim quer divorciar-se por uma carta escrita ao juíz. E o mesmo faz Virgínia para se divorciar de Procópio, como por semelhante modo se procedesse a tais actos!
Em toda a comédia o carácter deste personagem é absurdo e insustentável; a fala entre ele e Procópio que vai marcada na cena 20.ª é cínica. Não é menos odioso o carácter de Virgínia pelo que diz na cena 2.ª, mormente, apesar dos maus exemplos que lhe dá o marido. O estilo não tem nenhum mérito nem propriedade, a linguagem é vulgaríssima. Nestes termos, não se pode licenciar. Lisboa, 18 de Agosto de 1864. A. da Silva Túlio |
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27-10-1864
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António da Silva Túlio
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Direcção do Teatro do Ginásio
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Comissão de Censura Dramática
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Arquivo da Secretaria Geral do Ministério da Educação e Ciência – Conservatório Nacional, cx. 774, mç. 2912
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