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O dia de pôr escritos
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Francisco Xavier da Silva
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Cançoneta
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Teatro das Variedades Dramáticas
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A cançoneta cómica que se intitula O dia de pôr escritos é de um tal desabrimento de frases contra os senhorios que me parece impróprio do teatro. Acirrar a opinião pública contra uma qualquer classe é sempre mau, mas no teatro é péssimo. Esta quadra da presente cançoneta:
Sendo assim os senhores São carrascos sociais Sem brio, sem honra, sem dó, Esfolam os seus iguais! É de um azedume inadmissível, com especialidade num lugar que se procura para distracção do espírito e esquecimento das misérias da vida. Em resumo entendo que a cançoneta intitulada O dia de pôr escritos é pouco própria do teatro aonde os libelos, embora com algum fundo de verdade, não devem ter entrada. É este o meu parecer, salvo o parecer em contrário da Inspecção Geral dos Teatros, a que já subordinei o meu voto. Lisboa, 12 de Maio de 1865. L. A. Palmeirim. |
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Denegada a licença
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19-05-1865
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Luís Augusto Palmeirim
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Direcção do Teatro das Variedades Dramáticas
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Comissão de Censura Dramática
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Arquivo da Secretaria Geral do Ministério da Educação e Ciência – Conservatório Nacional, cx. 774, mç. 2911
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