Teatro proibido e censurado em Portugal no século XIX

Marina
P. V. Martins da Silva
Comédia
Teatro da Rua dos Condes
Revi a ópera cómica em 2 actos intituladaMarina, que já subiu à cena no Teatro do Ginásio, desempenhada por uma sofrível companhia de zarzuela, colhendo gerais aplausos. O enredo está bem urdido, promovendo sempre interesse até ao desenlace que é lógico e de bom efeito. A versão, apesar de o tradutor a denominar livre, está longe de merecer tal nome, e quando o fosse não me parece que lucrasse nada. Mas, recordando-me da impressão que me fizeram os versos do original, não duvido afirmar que perdeu. Julgo mais conveniente traduzir bem do que substituir mal, e quase todas (com raras excepções) as traduções que aparecem na censura com a pretensão de livres, não são mais do que infiéis versões a que alteram frases que não sabem traduzir, pondo em lugar delas, a maior parte das vezes, sensaborias. Quanto aos versos que se entrelaçam no diálogo da peça, há muitos errados, tantos que não permitem indicação minuciosa. Ainda assim, como a peça é destinada para um teatro de segunda ordem, corrigindo o tradutor os versos e feitas as emendas que vêm indicadas, não vejo inconveniente em dar-lhe o meu voto de aprovação. Para se representar no Teatro da Rua dos Condes. Lisboa, 16 de Junho de 1862. Ernesto Biester.
18-07-1862
Ernesto Biester
Direcção do Teatro da Rua dos Condes
Comissão de Censura Dramática
Arquivo da Secretaria Geral do Ministério da Educação e Ciência – Conservatório Nacional, cx. 773, mç. 2904