Teatro proibido e censurado em Portugal no século XIX

Nunca mais creio em homens
Francisco L. L. Martins
Comédia
Teatro das Variedades
1.º - Esta comédia Nunca mais creio em homens tem pouco interesse dramático, mas pode agradar pela excentricidade das figuras que nela entram. Referem-se por vezes os personagens desta peça a uma gata que se chama «Bijou», substantivo masculino em francês e que não não pode, portanto, ser nome de uma gata. Nas diversas coplas há muitos versos errados, com sílabas de mais ou de menos, por exemplo, estes:
«Se não ser desembaraçada»
«Por que ela a preza mais»
«Foi uma ideia excelente»
«Sem ter planeado a acção»
«No que é o dar da mão»
«Eu vejo-as de saias curtas»
«Que usam saia comprida»
«Era uma dúzia de netos»
«É por isso mesmo que eu tenho»
«A torto e a direito».
Os versos da copla final são todos errados, sem excepção de um só! Substituídos pois os versos que acima vão apontados e eliminada completamente a copla final, aprovo para se representar no Teatro das Variedades a comédia que tem por título Nunca mais creio em homens. Lisboa, 27 de Março de 1862. L. A. Palmeirim.

2.º - Estão cumpridas as indicações do parecer supra, pelo que se pode licencar. Lisboa, 22 de Abril 1862. A. da Silva Túlio.
01-05-1862
Luís Augusto Palmeirim; António da Silva Túlio
Direcção do Teatro das Variedades
Comissão de Censura Dramática
Arquivo da Secretaria Geral do Ministério da Educação e Ciência – Conservatório Nacional, cx. 773, mç. 2900