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Rui Gonçalves no castelo
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F. J. de O. Lemos
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Drama
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Teatro do Ginásio
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O drama que tem por título Rui Gonçalves no castelo não foi, decerto, escrito para se representar. É apenas uma lenda do século 13.º posta em diálogo, mas um diálogo de romance, porque todas as falas são por tal modo prolongadas que nem a plateia mais fleumática as sofreria tranquilamente.
Vê-se que o estudioso autor não tem experiência do teatro, aliás daria a esta sua tentativa a acção e enredo que inteiramente lhe faltam. Do estilo e linguagem só devo dizer que, dedicando o autor esta peça ao sr. Rebelo da Silva, devia entender ao que este insigne escritor pondera na Introdução do seu admirável romance A pena de Talião, da mesma época a que pertence o Rui Gonçalves. Diz o sr. Rebelo da Silva: «Nos quadros da Idade Média, o maior perigo consiste em se lhes errar a expressão atribuindo às paixões e sentimentos linguagem e carácter que lhes foram desconhecidos e que transportam a acção para anos muito posteriores». Há um certo verniz moderno que é mortal para as cenas antigas, porque as não restringe, desfeia e desmente a cada momento. Em vista do que acabo de compor, entendo que esta peça deve ser devolvida ao seu autor para a reconsiderar. Lisboa, 26 de Março de 1867 |
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Rejeitada
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29-05-1867
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António da Silva Túlio
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Direcção do Teatro do Ginásio
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Comissão de Censura Dramática
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Arquivo da Secretaria Geral do Ministério da Educação e Ciência – Conservatório Nacional, cx. 775, mç. 2927
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Conserva-se uma cópia do parecer, pois o original foi devolvido ao teatro, como se lê na nota marginal: «A peça e parecer original foi entregue ao teatro para ser remetida ao seu autor em Maio 29 de 1867».
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